O mais querido (China, 2014)

Quinzenalmente, estamos aqui no Masmorra Cine, falando de filmes não-estadunidenses de uma forma que cabe no seu tempo e, de quebra, apresentando dicas culturais oriundas dos países das obras destacadas. Venha conosco. Hoje, iremos à China.

 

         Carvalho de Mendonça

 

        

O MAIS QUERIDO (China, 2014)

Qin Ai De Xiao Hai – Drama – 2h08min – Peter Ho-sun Chan

A obra em 5 segundos

Baseado em uma história real, o filme narra o drama de um casal divorciado, que precisa se unir para procurar o filho sequestrado.

***

A obra em 47 segundos

Tian Wenjun (Bo Huang) e Lu Xiaojuan (Lei Hao) são divorciados e mantêm uma péssima relação. Ela se casou novamente, enquanto ele conquistou na justiça a guarda do único filho. Quando o garoto é sequestrado, eles precisam enfrentar as diferenças para saírem à sua procura. Ambos se sentem culpados pelo evento e encontram forças em um grupo formado por outros pais de crianças desaparecidas. Após anos de uma busca cruel e incessante, encontram um menino que pode ser o filho, mas ele já tem uma nova vida, com sua “nova mãe”, Li Hongqin (Wei Zhao). A obra é um Drama com “D” maiúsculo (e muitas lágrimas), que expõe diversas injustiças e mazelas da sociedade chinesa. Baseado em uma história real, O mais querido conta com atuações inspiradas, e uma direção comovente.

***

A obra em 2 minutos e 33 segundos

“A esperança é um alimento. Sem ela, você morre.” A frase é verdadeira, principalmente num contexto em que a razão de viver se limita à busca por algo improvável. Tian Wenjun (Bo Huang) e Lu Xiaojuan (Lei Hao) são divorciados e mantêm uma péssima relação. Ela se casou novamente, enquanto ele conquistou na justiça a guarda do único filho. Quando o garoto é sequestrado, eles precisam enfrentar as diferenças para saírem à sua procura. Ambos se sentem culpados pelo evento e encontram forças em um grupo formado por outros pais de crianças desaparecidas.   

O mais querido, filme chinês de 2014, premiado em diversos festivais pelo Oriente, testa o controle emocional do espectador com altas doses de melancolia e ataques certeiros no coração, com cenas poderosas de conflitos sociais e familiares. A obra é um Drama com “D” maiúsculo, que expõe diversas injustiças e mazelas da contemporaneidade chinesa. Baseada em uma história real, conta com atuações inspiradas, além de direção e roteiro comoventes, de Peter Ho-sun Chan e Ji Zhang, respectivamente.

Com o desaparecimento da criança, o longa inicia o seu foco na dor dos pais e na forma com que os dois reagem à tragédia. Lu, inicialmente, culpa Tian, e, aos poucos, vai se afundando em uma profunda depressão, que prejudica seu novo casamento. Tian, por sua vez, assume a responsabilidade e sai imediatamente às ruas para procurar pistas. Passando noites na sarjeta, procurando a imprensa, gastando o pouco dinheiro que tem e sem dormir, Tian ainda precisa enfrentar inúmeras tentativas de extorsão, vindas de mensageiros de falsas informações.

Após anos de uma busca cruel e incessante, encontram um menino que pode ser o filho, mas ele já tem uma nova vida, com sua “nova mãe”, Li Hongqin (Wei Zhao). E é aí que a trama muda completamente de figura e mostra toda a sua grandeza narrativa e criativa. Lu e Tian são colocados temporariamente de lado, para que o diretor possa focar no sofrimento de Li, a nova “protagonista”. Viúva recente, não só descobre que o marido era um sequestrador de crianças, como perde, do dia para a noite, os dois “filhos”, e é condenada a seis meses de prisão.

Algumas questões relevantes são escancaradas no filme, como o tráfico de crianças, a política de controle de natalidade, e o sistema judiciário chinês, conservador e preconceituoso, que massacra os pobres, as mulheres, e as populações rurais, mas é extremamente incapaz de combater o crime organizado.

A humanização da antagonista, que faz o público ter uma gangorra de sentimentos pela personagem Li, é a cereja do bolo, é o toque de classe no meio campo, que eleva o patamar de um time. O mais querido é uma verdadeira joia dramática, com elementos de crítica, que termina de forma devastadora, misturando ficção e realidade, lágrimas e soluços.

Ponto forte: Expor os dois lados de um drama real foi uma opção muito acertada.

Ponto fraco: Comportamentos e motivações do personagem Gao Xia, o advogado, não são muito consistentes, destoando das demais personalidades da obra, sempre naturais e realistas.

***       

Ficha Técnica

Direção de Peter Ho-sun Chan

Roteiro de Ji Zhang

Produção de Peter Chan e Yuet-chun Hui

Elenco principal com Wei Zhao, Bo Huang, Dawei Tong, Lei Hao e Yi Zhang

Fotografia de Shu Chou

Edição de Derek Hui

Design de produção de Li Sun

Figurino de Dora Ng

Trilha Sonora de Leon Ko e Peng Dou

***

Dica cultural, diretamente da China

A dica cultural de hoje é o filme Sombra, trabalho mais recente do lendário cineasta chinês Zhang Yimou, lançado no ano passado. Sombra conta a história dos homens que, por suas características físicas, eram preparados, desde criança, para serem “dublês” de reis e comandantes na Era dos Três Reinos da China, visando a proteção dos originais e a aplicação de estratégias de guerra/tomada de poder. O protagonista é um desses indivíduos, que acaba vendo a sua existência se misturando ao papel interpretado. Completamente tingido de cinza, o filme mescla farsa e artes marciais, tradições milenares e guarda-chuvas assassinos, bem como constrói uma interessantíssima “guerra de tronos”. Sublime poesia imagética, a obra goza de uma fotografia apaixonante, e usa a chuva como importante elemento de composição de ambiente e sensações. Fica como indicação, ainda, a trilogia de programas do Masmorracast, que tratou brilhantemente sobre toda a carreira de Zhang Yimou, listada nos links abaixo:

Parte 1 – A Quinta Geração: https://masmorracine.com.br/2019/08/09/masmorra-cast-70-especial-zhang-yimou-parte-1-a-quinta-onda/

Parte 2 – Heróis e Adagas – https://masmorracine.com.br/2019/08/19/masmorra-cast-71-especial-zhang-yimou-parte-2-continuacao-herois-e-adagas/

Parte 3 – Cicatrizes e Sombras – https://masmorracine.com.br/2019/09/01/masmorra-cast-72-especial-zhang-yimou-parte-3-cicatrizes-e-sombras/

Por hoje, é isso, companheiras e companheiros.

Até mais.

Carvalho de Mendonça


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.