A Separação (Irã, 2011)

Mensalmente, estamos aqui no Masmorra Cine, falando de filmes não-estadunidenses de uma forma que cabe no seu tempo e, de quebra, apresentando dicas culturais oriundas dos países das obras destacadas. Venha conosco. Hoje, iremos ao Irã.

         Carvalho de Mendonça

        

A SEPARAÇÃO (Irã, 2011)

Jodaeiye Nader az Simin – Drama – 2h03min – Asghar Farhadi

A obra em 9 segundos

Passando por um doloroso processo de divórcio, um homem é acusado de ter causado um aborto na cuidadora de seu pai, fato que desencadeia uma série de consequências para todos perante o cruel sistema judiciário iraniano.  

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A obra em 54 segundos

Vencedor do Oscar, do Globo de Ouro, do César e do Urso de Ouro no Festival de Berlim, A Separação é o filme mais conceituado do diretor iraniano Asghar Farhadi, cineasta que vem marcando o seu nome na história, com um estilo muito próprio de ambientar dramas familiares no seio dos costumes do Islamismo. Simin (Leila Hatami) é casada com Nader (Payman Maadi) e leva uma vida de classe média no Irã. Em que pese pertencer a uma posição social superior à de grande parte da população, ela não se sente feliz com as limitações impostas às mulheres no país, e pretende se mudar para o exterior com a filha, para que esta tenha um futuro melhor. Quando ela sai de casa, Nader contrata Razieh (Sareh Bayat) para cuidar de seu pai. Após uma discussão acalorada, a cuidadora o acusa de ter lhe causado um aborto e o caso vai para o tribunal. As mentiras contadas e as decisões erradas tomadas por todos geram cruéis consequências para eles perante a justiça iraniana.

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A obra em 2 minutos e 45 segundos

O cineasta iraniano Asghar Farhadi vem marcando o seu nome na história, com um estilo muito próprio de ambientar dramas familiares no seio dos costumes do Islamismo. Vencedor de duas estatuetas do Oscar, o diretor já emplacou sucessos como Procurando Elly, O Passado, O Apartamento, Todos Já Sabem e, principalmente, o seu trabalho mais conceituado A Separação, lançado em 2011, e estrelado por Peyman Moaadi, Leila Hatami, Shahab Hosseini, Sareh Bayat, Sarina Farhadi e Ali-Asghar Shahbazi.

Contemplado no Oscar, no Globo de Ouro, no César e no Urso de Ouro do Festival de Berlim, A Separação conta a história de Nader (Maadi), homem que, passando por um doloroso processo de divórcio, é acusado de ter causado um aborto na cuidadora de seu pai. As mentiras contadas e as decisões erradas tomadas por todos geram cruéis consequências para eles perante a justiça iraniana.

A trama se inicia quando Simin (Hatami), esposa de Nader, decide pedir o divórcio. Ela leva uma vida de classe média no Irã e, em que pese pertencer a uma posição social superior à de grande parte da população, não se sente feliz com as limitações impostas às mulheres no país, e pretende se mudar com a filha, para que esta tenha um futuro melhor no exterior. Nader não aceita acompanhar Simin no seu sonho e, diante do juiz, não autoriza que ela leve a filha Termeh (Samira Farhadi) junto na viagem.

Quando sai de casa, Simin contrata Razieh (Bayat) para cuidar de seu sogro, que sofre de Alzheimer. Logo de cara, Nader percebe a dificuldade de conciliar os cuidados com o pai, os cuidados com a filha e a sua profissão, que o tira de casa pela maior parte do tempo. A escolha de Razieh para a função de cuidadora é a primeira decisão equivocada, pois, de família religiosa e praticante do Islamismo, ela esconde do marido Hojjat (Hosseini) que está trabalhando para um homem divorciado. Além disso, com receio de perder o emprego, ela não conta ao chefe que está grávida. Precisando ir ao médico, ela amarra o paciente à cama e sai. Nader encontra o pai quase morto e fica possesso. Numa discussão acalorada, ele empurra Razieh, que o culpa por ter perdido o filho.  

Asghar Farhadi trabalha com exímia competência a exposição dos personagens à brutal repressão e ao sufocamento provocados pelo moralismo e pelos costumes. Em A Separação, o cineasta se utiliza das questões de tribunal, para mostrar ao mundo o machismo, o sexismo e o preconceito de classes muito presentes na sociedade iraniana, e institucionalizados em todas as suas bases, inclusive no poder judiciário. A Separação é um drama poderoso, com uma direção talentosa e atuação magnífica dos protagonistas.

Ponto forte: O cineasta é um especialista em misturar dramas familiares com os costumes do Islamismo no Irã e faz isso mais uma vez com maestria.

Ponto fraco: Não chega a ser um ponto fraco, mas o comportamento e as decisões questionáveis de todos os personagens, faz com que o público tenha dificuldade em ter empatia por algum deles.

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Ficha Técnica

Direção de Asghar Farhadi

Roteiro de Asghar Farhadi

Produção de Asghar Farhadi e Negar Eskandarfar

Elenco principal com Peyman Moaadi, Leila Hatami, Shahab Hosseini, Sareh Bayat, Sarina Farhadi, Ali-Asghar Shahbazi, Shirin Yazdanbakhsh, Kimia Hosseini e Merila Zarei

Fotografia de Mahmoud Kalari

Edição de Hayedeh Safiyari

Design de produção de Keyvan Moghaddam

Figurino de Keyvan Moghaddam

Trilha Sonora de Sattar Oraki

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Dica cultural, diretamente do Irã

Asghar Farhadi é um dos principais nomes do cinema mundial, atualmente. Suas obras, A Separação, O Passado, Todos Já Sabem e O Apartamento são sucessos de crítica e público, e os últimos três têm gabarito para ser a dica cultural de hoje, que acompanha a análise do primeiro. Porém, como estamos falando de Irã, a obra exposta desta vez será O Apartamento, filme lançado por Farhadi em 2016, também todo ambientado no país, protagonizado por Shahab Hosseini e vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Um casal de atores é obrigado a se mudar para um apartamento emprestado, já que o seu antigo prédio corre sério risco de desabamento. Na nova morada, a esposa, Rana (Taraneh Alidoosti), é atacada dentro do banheiro, por um desconhecido. Mais preocupado com a sua própria honra, do que com os traumas da mulher, Emad (Hosseini) quer vingança. Mais uma vez, Farhadi escancara os conflitos morais de uma sociedade extremamente machista, regida por dogmas religiosos, que é totalmente alheia aos sentimentos femininos e aos direitos da mulher.

Por hoje, é isso, companheiras e companheiros.

Até mais.

Carvalho de Mendonça


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